O dia em que o Martim nasceu

by Maria Pessanha

Quando olho para trás a primeira coisa que me lembro é que chorei muito. Desde que saí de casa até que entrei. Chorei de felicidade, de alegria, de nervos, de medo, por causa das hormonas, por causa de nada, porque sim e porque não. Chorei.

A cesariana estava programa porque o Martim estava sentado. Desde as 36 semanas que estava quieta em casa porque já tinha algumas contrações e queríamos aguentá-lo o máximo tempo possível. Parto marcado para dia 31 de Julho de 2015 as 8h30 da manhã na Ordem da Lapa. No dia anterior a sensação era estranha. De medo, nervosismo e ansiedade. Sabia que precisava de descansar porque os próximos tempos era algo que ia ser difícil de acontecer. Fui para a cama e tentei não pensar em mais nada e adormecer.

Acordei calma e relaxada e muito menos inchada do que nos dias anteriores. Sentia-me bem e preparada (achava eu). Entramos no carro e no caminho comecei a sentir que estávamos cada vez mais perto. Tantas vezes tinha imaginado e agora estávamos ali, quase a conhecer o nosso bebé. De vez em quando dava-me vontade de chorar. Entro no quarto, vejo a parteira, mais nervos. Depois aparece a minha mãe e os meus avós. Aí foi mais uma vez difícil de controlar as lágrimas. Não sei porque é que chorava. Entretanto chega mais família, todos ansiosos pela altura em que iam conhecer o Martim.

Deito-me na cama e diz-me a enfermeira “está na hora”. Quando vou na cama para o bloco passo pela família toda no corredor. Não há palavras para descrever a emoção que vivemos ali.

Desço para o bloco e fico à espera porque estava ocupado. Todo o tempo a chorar sem saber porquê! Eu até me ria! E dizia mesmo às enfermeiras, “eu não sei porque é que estou a chorar!”

A epidural foi sem dúvida o pior de tudo! Custou-me horrores. E uma dor que não vou esquecer! Essa e aquela quando nos mandam levantar pela primeira vez… socorro! Voltando ao bloco, o David esteve sempre ao meu lado a filmar e a fotografar tudo. Como a médica é muito amiga deixou filmar do lado de lá da cortina, então temos uma memória incrível de tudo tal e qual como aconteceu. Arrepiante. Mas foi tudo tão rápido! Mal começou a abrir ouvi “já vejo os pézinhos, vai sair estás preparada?” – Nem tive tempo de responder… quando o vi pela primeira vez. Acabado de sair encostaram-no a mim. A minha cara tocou na dele e algo que nunca mais vou esquecer. A sensação. O cheiro. O calor. Tão especial o momento que nos tocamos pela primeira vez.

Depois levaram-no de mim e eu fiquei ali a ouvi-lo chorar. Ninguém estava ali para me dizer que estava tudo bem, passaram-me mil coisas pela cabeça e aqueles minutos pareceram intermináveis. Só conseguia chorar. Que preocupação. Que ansiedade. De repente vejo-o a vir no colo do David. “É perfeito, saudável e lindo”. O meu coração finalmente acalmou. A caminho do quarto colocaram-no no meu peito para que mamasse o tão importante colostro. E ele fê-lo tal e qual. A natureza é incrível.

Subimos para o quarto e ficamos ali os três. Num momento só nosso a contemplar o milagre da vida. Éramos pais. Um amor que cresce desde esse dia e que quando achamos que é impossível crescer mais ele aumenta. Sou tão mas tão mais feliz com ele na minha vida. Sou aquilo que sempre sonhei ser: tua mãe.

Parabéns ao meu gordinho. 31-07-2018

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